Chegou do passeio com o seu cão e reparou numa pontinha escura agarrada ao pelo? Ou o seu gato não para de se coçar, mesmo sem sair de casa? Estes são dois dos sinais mais comuns de pulgas e carraças. Neste artigo aprofundamos esse alerta: como reconhecer os sinais de parasitas em cães e gatos, que doenças podem transmitir e quando procurar o veterinário.
É natural associar pulgas e carraças aos meses mais quentes. Mas em Portugal, graças ao clima ameno, essa associação pode ser enganadora: estes parasitas sobrevivem e reproduzem-se praticamente todo o ano, incluindo em casas aquecidas no inverno. Segundo as recomendações da ESCCAP (Conselho Europeu para o Controlo das Parasitoses dos Animais de Companhia), a proteção externa deve, por isso, ser contínua, e não reforçada apenas na primavera e no verão. O plano certo depende do estilo de vida de cada animal, não da estação do ano.
Comichão frequente ou excessiva, mesmo em gatos que vivem só dentro de casa
Pequenos pontos escuros presos ao pelo (podem ser carraças) ou uma espécie de "areia preta" na pele (dejetos de pulgas)
Vermelhidão, feridas ou perda de pelo em zonas específicas
Animal a lamber-se ou a roer-se de forma repetitiva
Alterações no apetite, vómitos ou barriga inchada, sobretudo em animais jovens (mais associados a parasitas internos)
Pequenos grãos semelhantes a arroz perto da cauda (sinal de ténia)
Se notar algum destes sinais, o passo seguinte deve ser sempre confirmar com o médico-veterinário — nunca aplicar um produto por conta própria.
Este é o ponto que menos tutores conhecem: pulgas e carraças não são apenas incomodativas, funcionam como vetores de doenças que podem ser graves e, em alguns casos, fatais se não forem tratadas a tempo.
Babesiose (piroplasmose) — afeta os glóbulos vermelhos
Erliquiose e anaplasmose — doenças bacterianas que afetam os glóbulos brancos
Doença de Lyme (borreliose) — pode afetar cães e, mais raramente, gatos e humanos
Dipilidiose — ténia transmitida quando o animal ingere uma pulga infetada
Doença da arranhadela do gato (bartonelose) — pode ser transmitida a humanos
Leishmaniose — risco importante para cães em Portugal, sobretudo no sul do país
Algumas destas doenças, como a doença de Lyme, têm potencial zoonótico, isto é, podem também afetar as pessoas que vivem com o animal. É esta dimensão de risco, e não apenas o desconforto do parasita em si, que torna a deteção precoce dos sinais tão importante.
Existem hoje várias formas de proteger cães e gatos: pipetas, coleiras, comprimidos ou, mais recentemente, opções injetáveis de longa duração. Nenhuma é universalmente "a melhor", a escolha certa depende do tipo de parasita que se quer prevenir, da espécie e peso do animal, e da rotina de cada família.
O protocolo — com que frequência desparasitar consoante a idade, se o animal vive só em casa ou tem acesso ao exterior, ou está grávida — deve ser sempre definido com o médico-veterinário, ajustado a cada caso.
Verificar o pelo do animal após cada passeio, sobretudo em zonas de erva alta ou mato
Escovar o pelo regularmente, que também ajuda a detetar alterações na pele
Manter a casa e os têxteis do animal limpos (camas, tapetes, sofás)
Recolher sempre os dejetos do animal na rua, reduzindo a disseminação de parasitas intestinais
Se identificar algum dos sinais mencionados, ou tiver dúvidas sobre se aquele "pontinho preto" é motivo de preocupação, nem sempre é preciso deslocar-se. Como orientação geral:
Pode esperar por uma consulta de rotina: comichão ligeira e ocasional, sem outros sinais associados
Vale a pena uma chamada à Telepet (serviço de apoio veterinário por telefone) para perceber se justifica ida à clínica: encontrou uma carraça, notou "areia preta" no pelo, ou o animal lambe-se de forma repetitiva numa zona específica
Deve procurar assistência presencial com alguma brevidade: sinais mais intensos ou persistentes — perda de apetite, letargia, febre, comichão que não passa, ou qualquer alteração súbita de comportamento
Comichão frequente, pequenos pontos pretos na pele (dejetos de pulga) e, em infestações mais visíveis, vermelhidão ou pequenas feridas por arranhar. Em gatos, pode notar-se também perda de pelo em zonas específicas.
Uma carraça aparece geralmente como um pequeno ponto escuro e firme, agarrado à pele, que aumenta de tamanho à medida que se alimenta. Em caso de dúvida, o mais seguro é confirmar com o seu veterinário ou através da Telepet.
Não. A externa protege contra pulgas, carraças e outros parasitas da pele e do pelo; a interna elimina parasitas do aparelho digestivo (e, em alguns casos, do coração).
Sim. Pulgas e alguns parasitas internos podem entrar em casa através de outros animais, do calçado dos tutores ou de objetos do exterior. Veja em mais detalhe a importância da desparasitação nestes gatos.
Pode ver em mais detalhe o protocolo de desparasitação recomendado por idade e estilo de vida, da Veterinário Sobre Rodas, com frequências para cachorros, gatinhos, fêmeas gestantes e animais adultos.
Fontes:
ESCCAP_MG1__English_20210518
ESCCAP_MG3__English_20230308